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Olá, amigos concursandos. Meu nome é Caio Vinícius Sousa e Souza, tenho 23 anos e, recentemente, fui aprovado nos concursos públicos para os cargos de Procurador do Estado da Bahia e de Procurador do Estado do Piauí.

Ressalto, de início, que a aprovação para o cargo de Procurador do Estado do Piauí representa o ponto alto de um processo de aprendizado, notadamente marcado por muita disciplina e planejamento.

Como a idade me denuncia, devo registrar que iniciei minha preparação para concursos públicos durante o curso de Direito da Universidade Federal do Piauí, mais precisamente, no penúltimo semestre da graduação, em novembro de 2013.

Inscrevi-me, então, no meu primeiro concurso: Procuradoria-Geral do Estado da Bahia. Por óbvio, encontrei as dificuldades próprias de um “concurseiro de primeira viagem”, pois deveriam ser estudadas muitas matérias em pouquíssimo tempo.

Nesse ponto, destaco a importância do planejamento, que, especialmente em relação aos projetos intelectuais, tende a apartar o sucesso do fracasso. Tracei, por isso, metas para o concurso da Procuradoria-Geral do Estado da Bahia, tomando-o como mola para minha aprovação futura no concurso da Procuradoria-Geral do Estado do Piauí.

Deveria, naquela ocasião, esgotar o programa de quatro das principais disciplinas cobradas em concursos da advocacia pública: Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário e Direito Processual Civil. Cumprido esse objetivo parcial, desinteressava o resultado do certame.

Felizmente, consegui ser aprovado na primeira etapa daquele concurso, constatando o esperado: a disparidade entre as notas das disciplinas estudadas e as das relegadas. Era o momento, portanto, de iniciar o estudo das matérias periféricas, bem como de aprofundar o estudo das consideradas principais.

Somando-se ao estudo teórico, deveria treinar dissertações e peças, até mesmo porque a segunda etapa da PGE-BA seria o meu primeiro contato com esse formato de avaliação, já que, àquela altura, ainda não havia me submetido ao exame da OAB.

Decidi, nesse ínterim, inscrever-me no curso de redação de peças e dissertações da EBEJI, especificamente elaborado para a PGE-BA. Atentando aos ensinamentos e dicas dos professores, percebi que não deveria encarar as provas dissertativas como um “bicho de sete cabeças”, devendo, ao contrário, reputá-las como a possibilidade de ganhar posições.

Minhas expectativas se concretizaram e, mesmo fora das vagas previstas no edital, fui aprovado em todas as fases daquele concurso, melhorando minha classificação final com as notas das provas discursivas.

Com esse resultado, intuí que estava no caminho certo, devendo, para o então iminente concurso da Procuradoria-Geral do Estado do Piauí, colmatar as brechas deixadas nos primeiros estudos.

Dividi, assim, minha preparação em duas vertentes: revisão das matérias principais e aprofundamento das matérias periféricas, enfocando, sobretudo, a jurisprudência dos Tribunais Superiores.

Consegui, desta feita, ser aprovado na primeira fase da PGE-PI, resolvendo, para as etapas subsequentes, participar do Grupo de Estudos para concursos da AGU (GEAGU), que também é desenvolvido pela EBEJI. Embora o foco desse grupo seja a advocacia pública federal, muitas peças e dissertações foram aproveitadas, mormente aquelas relacionadas ao Direito Constitucional, ao Direito Processual Civil e ao Direito do Trabalho.

Logrei aprovação nas fases seguintes do concurso da PGE-PI, verificando-se a mesma toada: ganhei posições com as avaliações discursivas.

Para tanto, devo assentar que estudei muito as provas anteriores, sempre buscando captar a mensagem da banca. Entendia mentalmente o que os examinadores desejavam ler como resposta, formulava um esboço com os dispositivos legais e súmulas pertinentes, para só então formular a minha solução para o caso, escrevendo-a de fato, como se fosse um simulado.

Amigos, acreditem: se a pressa é inimiga da perfeição, a prática é sua melhor amiga. Por isso, tentem com ela estabelecer um estilo de escrita padrão, de modo que lhes sejam franqueados segurança e tempo na hora da prova. Eu, por exemplo, sempre iniciava a resposta discursiva citando o fundamento legal, mencionando, em seguida, a jurisprudência relacionada e, porventura, a doutrina cabível. No último parágrafo da resposta, concluía com uma solução objetiva para o caso proposto.

Não gastem linhas com impressões pessoais ou críticas inoportunas, pois elas não irão pontuar. Deixem para “enrolar” apenas se não tiverem ideia da resposta, utilizando-se, nesse contexto nebuloso, dos princípios concernentes à matéria.

Ressalto, nesse aspecto, um dado importante: para ser aprovado, não basta o conhecimento jurídico, sendo as técnicas de interpretação de problemas e de redação de respostas tão importantes quanto aquele. Por isso, recrudesçam-se com a experiência de pessoas que já passaram por essa fase da vida, assistindo a aulas sobre o tema, ou mesmo participando de grupos de compartilhamento de informações.

Perfilhando esse caminho, ao final do concurso da Procuradoria-Geral do Estado do Piauí, posicionei-me na oitava colocação, dentro, pois, das dez vagas previstas no edital. 

Posso afirmar aos amigos, portanto, que minha preparação foi tão rápida quanto intensa. Durante dez meses, vivi a ideia fixa de ser Procurador do Estado do Piauí, ponderando, dia após dia, o que realmente importava para o MEU concurso.

Isso porque não assinto à estratégia de perenizar os estudos, fracionando-o “aos poucos” ou programando seu início para “daqui a seis meses”, pois creio que essa tática não terá outro efeito senão o de retardar a sonhada aprovação.

A bem da verdade, alcunha-se o concursando de “concurseiro”, porque, para passar em concursos públicos de alto rendimento, deve-se internalizar um estilo de vida, tal como o fazem o rockeiro, o padeiro, o barbeiro e etc. Em outras palavras, não existe atalho, ou meia vontade de ser aprovado; se se quer a aprovação, deve-se suportar, com integral comprometimento, as agruras próprias do ofício.

Aos que estão iniciando a caminhada, devo imbuir-lhes de coragem. Ignorem comentários do gênero: “esse concurso vai ser muito difícil, pois conheço pessoas que estão estudando há cinco anos” ou “soube que quatro juízes federais e três procuradores da república vão prestar esse concurso…”. Acredito que, para os primeiros concursos, traçar metas de preparação e cumpri-las com êxito seja suficiente, pondo-se o resultado do certame em plano secundário.

Por fim, consigno que, de fato, não é fácil trilhar as veredas do concurso público, pois que a tomada de decisão, conforme já mencionado, importa um quadro de desapegos e de abdicações. A boa notícia, meu amigo, é que a tua chegada no destino final só depende de ti.

Agradeço a atenção dos amigos leitores, colocando-me à disposição para ajudá-los no que Deus me permitir.

Abraços,

Caio.

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