Defensor Público Federal e Professor da EBEJI
EBEJI
Olá a todos(as) os(as) leitores(as) do blog!
Em excelente parecer sobre a/para a Defensoria Pública, Daniel Sarmento abordou um tema até então inédito: A Defensoria Pública como ombudsman!
Vislumbro a possibilidade desse tema cair nos próximos concursos das Defensorias Públicas Estaduais e da União. Diante disso, formulei uma questão com seleção de alguns trechos do aludido parecer:
QUESTÃO EBEJI: Tendo como base as recentes emendas à CRFB/1988 que trataram da Defensoria Pública e levando em consideração a função de ombudsman, marque a opção ERRADA:
a-) Diversas características são geralmente atribuídas ao ombudsman, com destaque para a base constitucional da sua atuação e a independência política, administrativa, financeira e funcional de que desfruta no exercício de suas funções.
b-) Pode-se dizer que a Defensoria Pública exerce função de ombudsman pois é entidade autônoma, dotada de estatura constitucional, cujas funções institucionais abrangem “a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados” (art. 134, caput, CF).
c-) Os membros da Defensoria Pública, em simetria com o regime constitucional do Ministério Público e da Magistratura, possuem independência funcional e inamovibilidade (CF, art. 134, §§1º e 4º), e estão sujeitos a uma série de deveres voltados à garantia do bom exercício das suas funções, como a necessidade de residirem na localidade onde estiverem lotados (LC nº 80/94) e a proibição do exercício de atividade político-partidária enquanto atuarem perante a Justiça Eleitoral (LC nº 80/94). Isso também justifica dizer que a Defensoria Pública exerce a função de ombudsman.
d-) O desempenho da função de ombudsman pela Defensoria Pública está delimitado pelo escopo das suas finalidades institucionais, que, conforme o disposto no art. 134 da CF, se ligam especialmente à defesa de indivíduos e grupos hipossuficientes e vulneráveis.
e-) A Defensoria Pública é a única instituição no Brasil que desempenha as funções de ombudsman.
GABARITO: E
COMENTÁRIOS:
Diversas características são geralmente atribuídas ao ombudsman, com destaque para a base constitucional da sua atuação, e a independência política, administrativa, financeira e funcional de que desfruta no exercício de suas funções. Tais funções, por sua vez, podem abarcar a supervisão das atividades da administração pública e a proteção dos direitos humanos, dentre outras atividades. Sem embargo, uma característica do instituto é sua variabilidade, que se constata diante dos contornos diferenciados que adotou em cada país – e mesmo no âmbito internacional – a partir dos contextos e necessidades distintas.
Destaque-se que a Federación Iberoamericana del Ombudsman – FIO define o instituto como “uma instituição pública (criada normalmente pela Constituição e regulada por lei do Parlamento) dotada de autonomia, cuja finalidade principal é proteger os direitos humanos dos cidadãos frente à Administração Pública do país respectivo”.
A Defensoria Pública exerce função de ombudsman. Trata-se de entidade autônoma, dotada de estatura constitucional, cujas funções institucionais abrangem “a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados” (art. 134, caput, CF).
A plena autonomia da DP foi expressamente reconhecida pela Constituição Federal. Os membros da Defensoria Pública, em simetria com o regime constitucional do Ministério Público e da Magistratura, possuem independência funcional e inamovibilidade (CF, art. 134, §§1º e 4º), e estão sujeitos a uma série de deveres voltados à garantia do bom exercício das suas funções, como a necessidade de residirem na localidade onde estiverem lotados (LC nº 80/94) e a proibição do exercício de atividade político-partidária enquanto atuarem perante a Justiça Eleitoral (LC nº 80/94).
De todo modo, o desempenho da função de ombudsman pela Defensoria Pública está delimitado pelo escopo das suas finalidades institucionais, que, conforme o disposto no art. 134 da CF, se ligam especialmente à defesa de indivíduos e grupos hipossuficientes e vulneráveis.
Noutro giro, o reconhecimento da atuação da DPU como ombudsman não exclui o enquadramento de outras instituições nacionais na mesma categoria, como é o caso da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, órgão do Ministério Público Federal.
Do exposto, somente a letra “e” está errada.
Beleza?
Espero você(s) na 2ª Edição do Novo GEDPU da EBEJI.
Despeço-me desejando excelentes e prazerosas horas de estudo!
João Paulo Cachate, Defensor Público Federal e Professor da EBEJI
P.S.: Recomendo fortemente a leitura do Parecer de Daniel Sarmento à ANADEF. https://www.anadef.org.br/component/content/article/53-destaques/3924-professor-daniel-sarmento-recebe-a-presidente-da-anadef-michelle-leite em 28/07/2015.
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